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O Estudo de Raphael Zarka

Para todos os artistas como Raphael Zarka, o skate está acima de todas as formas e questões: formas de descanso, formas de movimento. Elas, sutilmente, se espalham por toda a história da arte e da ciência, de Galileo a Robert Morris. Ambas arquiteturas urbanas se transformaram em obstáculos para a prática do skate, e estranhamente ecoam aquelas formas. A prática do skate, como foi descrita no livro The Forbidden Conjunction (2003), parece sempre criar um tipo de “montagem” de diversas matérias e formas da cidade, energizando e desestabilizando estruturas concebidas para descanso e conforto ao ponto de inverter suas funções e seus significados.

O estudo de Raphael Zarka, deste modo, é como uma fantástica descoberta arqueológica. Do seu jeito, ele aumenta sua prática sobre esculturas e fotografias. A cronologia apresentada no On a Day with no Waves (Em um dia sem ondas) é uma abordagem sóbria e lacônica. Apesar de extremamente bem informada, a história geralmente tem sido tratada de uma maneira hagiográfica pelos ex-praticantes, a primeira onda de skatistas, os “antigos combatentes”, que tem se convertido em jornalistas ou sociólogos. On a Day with no Waves traz o que há de mais verdadeiro nas variedades de linhas que estudam o skate, e conecta com todo o aspecto de pensamentos contemporâneos na migração de formas e seus usos.

Part 2

Raphael Zarka é um artista francês nascido em 1977, em Montpellier.

Raphael Zarka coleciona formas esculturais. Sua série Les Formes du Repos (As Formas de Descanso) começou em 2001, e consiste em fotografias remanescentes de humanos que contaminam o ambiente: um trecho de uma linha de trem inacabada, concreto quebra-mar e um poste solitário. Zarka captura as possibilidades esculturais dessas formas como imagens: o abandono, o desuso e o esquecido, que se tornam lugares em potencial, como uma associação formal léxica que corre de Platão ao modernismo ao pós-minimalismo escultural.
A série mais recente de Zarka, Riding Modern Art (Andando pela Arte Moderna), faz parte do vernáculo subcultural do skate urbano. Raphel começou a colecionar fotografias e esculturas de revistas de skate depois de fazer um vídeo em que montou sua própria filmagem de skatistas andando em esculturas de lugares públicos. A escolha por este assunto não foi por acaso. Zarka, que vive em Paris, anda de skate e tem se tornado um tipo de lenda no mundo do skate desde 2006, quando publicou seu livro Chronologie lacunaire du skateboard. 1779-2005 (On a Day with no Waves, em inglês – Crônicas Inacabadas do Skate, em português).

Tradução: Andre Cavanha

www.editions-b42.com/books/day-no-waves/

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