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Muito Estranho!!!

texto, Peri musico underground

Marcio Tarobinha bricando em Sampa, foto Ale Viana

Marcio Tarobinha bricando em Sampa, foto Ale Viana

A Base de tudo …

… a primeira vez que eu ouvi falar do movimento do skate no Brasil já tinha uma galera que estava à milhão, andando e fazendo a história, criando as raízes do que o mundo vê hoje do skate Brasileiro. Isso era 1988, meu irmão ganhou do meu primo um skate todo tosco e aquilo foi a maior alegria na casa por muitos anos.

Daí, comecei a ir nas pistas, dar uns rolezinhos no Ibira, lembro bem de ver o Bob e o Geninho andando no QG, São Bernardo, dava pra sacar a determinação e o amor que os caras tinham pelo que estavam criando sem saber. Ultra, Top Sport, o Digo destruindo na Ladeira da Morte, Batman. Na época, não consegui ver o Hawk e o Lance Mountain e fiquei mal, queria muito ter visto.

Nunca fui um skatista de campeonato e sempre me identifiquei com o pensamento de um cara que eu acho um dos mais respeitáveis no skate Brasileiro, o Thronn. A frase SKATE 4 FUN era a melhor explicação pra tudo, livre de egos, vaidade e competição digamos “negativa”.

Lembro do Urina destruindo no Ginásio do Ibira, Mancha na mini ramp era foda, o Chupeta, Tarobinha, Ferrugem, e a festa que foi quando o Ueda se destacou. Tinha uma energia de colaboração um com o talento do outro, e foi assim que eu vi o skate crescer. Nos compeonatos, parecia que um torcia pelo outro, pra ter mais motivação pra se superar e elevar o skate. Essa era a BASE. O Mineirinho voava muito alto, uma vez, ali no Ibira ele impressionou todo mundo.

Nilton Neves o Urina, esse tem base até o próximo milênio

Nilton Neves o Urina, esse tem base até o próximo milênio

Anos e anos se passaram, e teve um cara que realmente foi especial demais e que se tornou referência no skate mundial, superando até as próprias expectativas. Bob Burnquist. Vamos dizer assim, o Bob está para o skate assim como o Tom Jobim está para a música, ou se preferirem , o Max Cavalera, (rsrsrs). Gênio nato, inegável, mesmo pra quem não admite.

Generoso pra caramba, roots, atitude e expansivo demais, o cara, sem querer humilhar ninguém, acabou deixando todo mundo pra trás, (ou pra frente, se ele estiver de Switch, rsrsrsrs). Nem preciso falar da Mega Ramp ou do Grand Canion, né?? Fez por merecer.

Mais um tempo se passou e esse fim de semana eu tive a chance de ver o Tony Hawk andando ao lado do Ueda, aqui em SP. Foi uma coisa muito style, gratificante, mas a energia do evento não estava a mesma. Muitos dos skatistas roots, que fizeram a base do skate no país desde sempre, não estavam no evento. Deu pra perceber a falta que essas caras fazem e como são importantes numa hora dessas. Bolota, Cristiano Matheus, ET, Cezinha. (Parecia que o Hawk estava meio sem graça, não sei se to viajando, mas acho que não).

Parece que a coisa se burocratizou, virou business, na real não sei explicar direito, mas percebi que tinha algo estranho no ar. É claro que com a evolução natural do skate, o dinheiro aumenta, os patrocinadores visam cada vez mais lucro, mas a base da coisa ainda está, ou deveria estar, no GO FOR IT que fez esses caras chegarem lá.

Fabio Cristiano detem a sabedoria da levasa

Fabio Cristiano detem a sabedoria da levasa

A competição fugiu do controle, parece, o lucro, ego e vaidade podem estar poluindo um pouco a coisa nesse momento. Eu, como um cara que curte muito esse esporte e sempre torci pela sua propagação e respeito, posso até estar falando besteira , mas, posso não ser o único, rsrsrs…só estou expressando uma opnião.

Acredito que esse momento seja ideal pra uma revisão de valores e de mentalidade antes que essa raíz se perca. Claro que tem que ter grana, patrocínio, porque é um trabalho o skate hoje em dia, mas isso, só se concretizou por causa da mentalidade Roots e o amor ao skate que OS SKATISTAS sempre tiveram, não os patrocinadores.

Pra terminar, queria dizer que, assim como existem vários estilos e categorias, existem também várias mentalidades diferentes, mas o que eu gostaria de expressar aqui, pra resumir tudo , é o seguinte:
Admitir que o outro é melhor do que você, te faz um cara melhor pro mundo. A competição interna, só vai estragar o que antes era FUNdamental.
E tem coisa que não adianta comprar, mais vale somar do que bater de frente.
Acho que quem está no meio, entende o que eu quero dizer, sem desmerecer ninguém e nem atravessar os skatistas natos.
Essa é apenas a visão de um cara que nem corre campeonato, mas acompanha o skate e deve muito á ele. Sem pagar pau pra ninguem, e nem visar nenhum tipo de lucro com isso. Escrevo por amor a arte que é esse esporte. Senti que estamos num momento delicado e queria muito ajudar a preservar a real do sk8 no Brasil.

O Skate foi meu parceiro durante anos e com certeza me livrou de coisas que poderiam ter me consumido. Devo ao esporte e devo aos skatistas natos.

conhecer o Bob foi uma honra!
SKATE OR DIE.

Réplica do Bob Burnquist contruida com milhares de peças de Lego

Réplica do Bob Burnquist contruida com milhares de peças de Lego

Tks Thronn, …. , por ser o primeiro skatista for fun do Brasil, espero que essa mentalidade nunca saia da alma dos skatistas, mesmo que estejam milionários e famosos no mundo todo.

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