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Juninho e McRad, que viajem hein???

Texto, Edilson Grão
Fotos, Edilson Grão
Quando se começa a tocar algum instrumento musical, o primeiro pensamento é montar uma banda, pegar todas as minas nos shows, viver na estrada carregando instrumentos e comendo poeira. Juninho Sangiorno, baixista da banda Ratos de Porão, skatista e integrante de Eu Serei a Hiena, O Inimigo e mais uma pá de bandas hardcore, foi além dessas paradas. Avesso às doideiras do rock, é Vegan por opção e músico por vocação, envolvido com tudo que rola em torno da música, desde Rodie a produção de eventos e shows, o cara não para.

Ele e Mauricio Takara do Estúdio El Rocha, foram convidados por Chuck Treece para tocar nos três shows que o McRad fez por aqui no começo do ano. O molho deu tão certo que receberam um novo convite, dessa vez o destino foi a Europa. Passaram por cidades como Sttugart, Münster, Njimegem, Amsterdã, dentre outras. Tocaram também com US Bombs, banda de Duane Peters e ainda cruzaram com lendas do skate como Mark Gonzales e Lance Mountain.

Com certeza um role para poucos, entre um acorde e outro, ele que não bebe e nem fuma, bolou aquela ideia sobre a Turnê com o McRad pelo Velho Mundo.

1 – No começo do ano você e Maurício Takara formaram a cozinha do McRad nos shows aqui no Brasil. Como surgiu a parceria com Chuck Treece?

O Chuck vinha tocar bateria para o Bad Brains aqui no Brasil há uns anos atrás, eu estava trabalhando na produção desse show e comecei um contato. No final ele não veio, e acabou tocando o Earl mesmo, batera original, mas mesmo assim continuamos o contato e com o passar do tempo foi amadurecendo uma idéia dele vir tocar aqui no Brasil com o McRad com músicos locais. Chamei o Maurício que estava há um tempo sem tocar esse tipo de som, fizemos uns ensaios e rolou legal, assim que começou tudo.

2 – A união fortaleceu porque em julho vocês embarcaram para uma turnê na Europa a convite do próprio Chuck. Você acha que além de tocar baixo na banda Ratos de Porão, o fato de serem skatistas contribuiu para a escolha de vocês?

Na real o Chuck nem sabia que eu tocava no Ratos. Apresentei-me na época como uma das pessoas da equipe de produção do Bad Brains, falei que andava de skate, e só depois das ideias dele tocar aqui me apresentei como músico. Mas quando soube que o Maurício também andava, ele ficou mais animado. O role da Europa foi muito classe, estávamos nós três da banda e também o Marcelo Vila Skate fazendo merchandise. Éramos os quatro andando de skate todos os dias, foi demais!

3 – O primeiro ensaio foi no museu do skate em Stuttgart (Alemanha). Sei que existe um bowl lá. Como foi tocar em um lugar como esse?

O museu do skate em Stuttgart é o maior da Europa, eles têm muito material de todas as épocas do skate, é bem amplo, existe o bowl e várias rampas para galera andar. Durante os ensaios lá dentro, e mesmo no dia do show, eram vários moleques andando de skate curtindo McRad ao vivo.
Foi muita emoção ver tantos shapes e fotos, coisas históricas que nunca pensávamos que íamos ver aquilo ao vivo na nossa frente um dia, até o skate com o tênis e a boina do Gator estavam lá!

4 – Tocaram também no mundial de skate em Münster (Alemanha). Qual a sensação de tocar num evento histórico e tradicional de skate?

Especialmente nesse show existia muita expectativa; eram umas duas mil pessoas naquele lugar, skatistas de toda Europa e até alguns de outros continentes; um bowl gigantesco, muitas crianças numa segunda parte menor da pista; área de street, comida vegetariana boa demais, e é claro um palco profissa que deram para gente. E, mais tarde, para fechar a noite, US Bombs.
Foi engraçado estar em um festival onde lendas do skate brasileiro como Ueda, começaram a mostrar a cara do Brasil lá na gringa, e onde nosso irmão Rogério Ragueb ganhou a melhor manobra há uns anos atrás.

Juninho-+-Soma-4

Juninho-+-Soma-4

5- Em Njimegem (Holanda) vocês chegaram a tocaram em um festival de rua. Tem até uma história de um cara que vendia suco de açaí com maçã. Qual a coisa mais bizarra que você viu lá?

Na real não tocamos nesse festival de rua, é que no mesmo dia do nosso show lá que foi num Squat, estava rolando essa festa da cidade. Milhares de pessoas por todos os lados, palcos espalhados pela cidade, shows, comida, e até essa barraca que tinha suco de maça com açaí! É claro que o Chuck foi lá tomar pra ver qual era. Isso foi bizarro, pois estávamos no interior da Holanda, e ter açaí num lugar desses é bem estranho, e era ruim! Hahahahaha!

6- Em Amsterdã vocês foram parar na loja da Independent que tinha um porão. O que rolou nesse pico?

Desde minha primeira vez em Amsterdã já conhecia essa loja, é um pico de encontro de pessoas do hardcore, muitos discos, roupas, coisas de skate, e o dono da loja tocava numa clássica banda Holandesa chamada NRA.
Com a ajuda de uma amiga brasileira que estava em Amsterdã, a Andréia, conseguimos marcar esse show no porão da loja, que originalmente é um espaço de Lps e Cds. As prateleiras foram colocadas de lado e montamos o equipamento para um show praticamente fechado, era uma segunda-feira fim de tarde, público de umas 30 pessoas, mas só o pessoal velho do hardcore e do skate, rolou legal.

7- Durante essa bateria de shows vocês fizeram um role de skate. O que mais te marcou nessas sessions?

Cara, nós andamos de skate todos os dias nessa tour, pois vários shows tinham pista de skate no local, ou então, perguntávamos ali pra galera e íamos pra alguma pista.
Um role bem marcante pra mim foi passar a madrugada em Bruxelas numa pista pública linda demais, do lado de uma catedral. A sessão foi até bem tarde, colaram uns skatistas locais, ficaram falando que o Luan de Oliveira tinha andado lá e ficou tudo mundo de boca aberta!!! Role também nas ruas de Amsterdã, na faixa das bikes, vixe… Só de lembrar já dá vontade de voltar no tempo.

8- Além de vocês quais as bandas que tocaram junto ou fizeram parte dessa turnê?

Stuttgart foi só McRad, Münster foi com US Bombs. Depois em Njimegem rolou com o Short Bus Window Lickers (Inglaterra), Amsterdã só McRad, Bruxelas com Coubiac (banda local) e depois em Paris foi a maior loucura de tocar e estar ao lado dos multi-instumentistas Ray Barbee e Tommy Guerrero, dois ex-skatistas profissionais da equipe Powell Peralta.

9- O que você destaca de mais positivo nessa viagem?

O mais positivo foi juntar o skate com o punk rock, foi uma coisa que eu nunca tinha feito na vida. Acaba sendo diferente por ter muito skate junto, é a concentração do skate, a vibe das sessions. Ter conhecido os skatistas antigos também foi demais, em Paris foi um evento grande, divulgação na televisão, etc, e lá estavam John Cardiel, Mark Gonzales, Lance Mountain, Ray Barbee, Tommy Guerrero, juntos no role, trocando ideia de igual pra igual, sem estrelismos nenhum, realmente muito especial ter vivido isso.

10- Deixa um recado para a galera do skate e do hardcore.

O recado é pra galera se envolver cada vez mais com a música, com o skate, com o hardcore. Isso é o que importa nas nossas vidas, tem muita história aqui, muita gente do bem, muita energia positiva, e tudo isso não irá morrer, aqui se faz e fez história. Valeu grão!!!

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