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A palavra do mentor, Andre Barros R.T.M.F.

Andre & Pedro Barros R.T.M.F
Revisão: Betão
Fotos Petronio Vilela

Mundial Red Bull Sk8 Generation

Mais de 1000 pessoas invadiram minha casa no último dia para assistir o evento que mais marcou nos últimos tempos.

Me lembro quando o Pedro ganhou o Bondi Bowl A Rama e resolvi escrever para um blog um dos meus únicos textos falando como primeira pessoa. Procuro nunca usar o “eu” em nenhum de meus textos. No caso do Bowl A Rama foi o primeiro, pois minha emoção estava explodindo no meu cérebro e eu precisava jogar para fora.

Agora me sinto igualmente. Uma outra conquista feita e dessa vez por mim! O Red Bull Sk8 Generation foi um evento que sonhei há muito tempo. Sempre quis trazer os caras aqui para o quintal da minha casa e fazer um lance de forma democrática de verdade.

Para quem acha que foi fácil porque tinha o nome de marcas grandes envolvido, está enganado, pois apesar desses nomes o evento contou com um budget financeiro menor que se possa imaginar. Primeiramente, veio uma proposta da Red Bull de fazer um evento aqui na minha casa. Eles queriam colocar 12 skatistas para competir. A verba que eles tinham era legal se fosse só isso, mas eu já barrei de cara a idéia e sugeri o que seria correto de fazer, pois o meu nome estaria na frente de tudo.

Steve Caballero, front side grind

Steve Caballero, front side grind

Mais de 800 pessoas passaram no evento

Mais de 800 pessoas passaram no evento

Vini Kakinho

Vini Kakinho

Binho Nunes e sua banda

Binho Nunes e sua banda

Andre Barros o mentor desse evento

Andre Barros o mentor desse evento

Falei que na minha casa eu só poderia fazer algo se fosse totalmente democrático e que todos pudessem participar. Minhas exigências eram as seguintes:

• Todos têm o direito de participar, claro que poderíamos colocar limite de inscrição, pois isso afere a capacidade de trabalho.
• Pelo menos 25% do budget total deveria ser de premiação. Sempre fui contra aos eventos que gastam milhões em estrutura e pagam migalhas para os skatistas.
• Os skatistas são os donos do show, tudo que eles decidirem em conjunto tem que ser acatado.
• Não vamos pagar cachê pra ninguém, ou paga pra todos ou ninguém recebe. Chega de darmos dinheiro pra quem já tem e deixar quem não tem mais “fudido” ainda. Acho um absurdo nego pagar cachê pra alguém vir competir e ainda o cara ser o que tem mais chance de levar o prêmio pra casa. Isso ai é armação. O cara pra receber cachê tem que ir pra fazer demo e não pra competir, a não ser que todos ganhem algo também!

Fiquei super feliz porque o pessoal da Red Bull sempre foi muito profissional e acatou todas as minhas exigências.

Agora vinha a parte mais complicada. Sem cachê pra todo mundo, como eu traria os caras de fora para minha casa? Isso foi um processo longo.Praticamente de um ano inteiro. A todos os eventos que fui levar o Pedro lá fora, aproveitava do meu bom relacionamento com todos os skatistas e do peso que o RTMF já estava construindo para passar a idéia de um evento aqui em Floripa. A maioria já queria muito vir pra cá e só queriam um motivo para que pudessem arrancar a verba dos patrocinadores.

Pedro Barros entrevistado

Pedro Barros entrevistado

 Dj Zé Gonzales, Nasa

Dj Zé Gonzales, Nasa

Pedro Barros

Pedro Barros

O Corpo de juizes

O Corpo de juizes

Comemoração da vitória

Comemoração da vitória

Fui pessoalmente conversar com Steve Van Doren, o cara da Vans e também com Remy Straton da Volcom. Steve abraçou a idéia de cara e já me garantiu mandar um time de peso. Remy é meu amigo e também falou que me ajudaria. Em troca dessa ajuda, eu prometi colocar a marca deles no evento. Dessa forma ficou mais fácil, pois eu tinha os skatistas querendo vir e os patrocinadores deles querendo mandá-los.

Mesmo tudo alinhado ainda tem o lance do cronograma de cada um. Por exemplo, o Buck Lasek queria muito vir, mas já tinha agenda feita para o dia 18.

Pronto, agora eu já tinha os skatistas, o local e a estrutura, então eu só me preocupava com uma coisa na qual eu não teria controle nenhum. A CHUVA. Florianópolis é complicado quando se depende do tempo. Uma ilha, varias passagens de frentes frias independente da época do ano. A única época que realmente temos períodos de estiagens é em julho, mas esse mês acontece todos os eventos grandes nos Estados Unidos e seria impossível trazer qualquer um pra cá.

Tudo alinhado, o tempo foi passando e eu tive um prazo curtíssimo para construir toda a estrutura física para o evento. Meu terreno era muito despreparado para receber um publico grande.

Foram 30 dias da minha vida que eu acordava 6 da manhã e ficava até onde meu corpo agüentasse na função do evento. Lógico que isso incluía as minhas sessões de skate e de surf, pois sem isso eu não teria agüentado a pressão.

Até que chegou a semana do campeonato e tudo começou a fluir exatamente como eu imaginava.
Foi muito emocionante ver a cara de cada um que chegava no pico. Aliás, em Floripa. Eu ficava observando a cada expressão facial dos que chegavam e era visível a surpresa de tanta beleza aos olhos deles.

Alan, Vinicios e Caballero

Alan, Vinicios e Caballero

Caballero se divertou

Caballero se divertou

Omar Hasan

Omar Hasan

Teve uma previsão de chuva. Muitos começaram a se preocupar, mas para mim, eu sabia que poderia ser tudo ao meu favor, pois quando se tem obstáculos que nem esses, ao serem vencidos a conquista se torna ainda maior. E foi exatamente assim. Quando abriu o sol, uma alegria tomou conta de todos.

A casa começou a tomar forma de um campeonato de verdade. Pessoas subindo o morro a pé, o som dos azulejos começaram a gritar bem alto e o copping block sendo esmerilado!

O Bowl do RTMF é um bowl de gente grande. Diz Omar Hassan que é um dos mais difíceis que ele já andou, não por imperfeição, mas pela velocidade que se atinge e o tipo de linha que deve ser percorrido.
Com tanta ansiedade dos participantes, foi inevitável quebrarmos o recorde de acidentes em um campeonato. Oscar Mad, Marcos Cabeça, Eduardo Braz, Roberto Formiga, foram parar no hospital com sérios danos. Desde fratura expostas no braço até fratura craniana.

Mas nem isso abalou os caras, que mesmo diante desses fatos ainda ficaram no evento até o fim para não perder essa pagina da história.

No final de tudo foi aconteceu o que se imaginava e o que se desejava por todos. Muito skate de alto nível, Jake Phelps da Thrasher fazendo cagada por todos os cantos, Pedro Barros mostrando porque é o campeão mundial, Steve Caballero fazendo muita gente chorar de emoção, Leo Kakinho mostrando ao mundo quem é ele, Vi Kakinho também seguindo esse caminho, mais de 1000 pessoas disputando um lugar para assistir o evento, uma repercussão de mídia jamais vista e o mais importante, a satisfação generalizada de todos que tiveram a oportunidade de vivenciar essa semana de muito skate na veia no RTMF.

Kbeça na area

Kbeça na area

Area vip

Area vip

Obrigado a todos que participaram!

Andre & Pedro Barros R.T.M.F
Revisão: Betão
Fotos Petronio Vilela

6 Responses to A palavra do mentor, Andre Barros R.T.M.F.

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